O mundo da Criança

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Há algo mais gostoso que ser criança? E brincar? Infelizmente, conforme amadurecemos, nos afastamos desse mundo que tanto nos ajudou a crescer. No entanto, quando temos filhos, nos deparamos diariamente com um universo diferente da vida adulta: o mundo da criança. O que fazer para conseguirmos não somente acompanharmos, mas compartilharmos a vida com eles?

A primeira missão é conhecermos esse mundo o mais de perto possível. Quando nos permitimos nos aproximar dele, percebemos o quão significativo ele é para o desenvolvimento, uma vez que as características peculiares das crianças dão a elas a possibilidade do crescimento sadio e as tornam preparadas para as próximas fases. Mas que peculiaridades são essas? Uma das principais é a curiosidade. A criança é essencialmente curiosa, gosta de conhecer o desconhecido e torná-lo o mais familiar possível. Outra característica é o tempo dela, que é o do agora, do presente imediato, seja quanto ao passado ou ao futuro. O presente domina o tempo da criança e esse envolvimento com o presente imediato, determina uma constante e rica possibilidade de renovação na vida das crianças – pode-se perceber isso no brincar e nas brincadeiras.

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Ainda quanto ao tempo, a criança tem também o tempo da impermanência dos significados. Por um minuto ela consegue odiar alguém,  no próximo minuto ela já consegue amar.Além das peculiaridades, é importante sabermos o que pode atrapalhar o crescimento da criança. Mas será que um mundo tão mágico pode sofrer prejuízos? Sim! Por conta de situações ambientais gerais e até condições mais pessoais, como corpóreas e de afetividade.

Na relação entre adultos e crianças há um traço forte chamado dependência, que necessita de um cuidado especial, pois a criança não pode ser totalmente dependente, mas também não pode deixar de ser olhada. Uma possibilidade de equilibrar essa dependência é o adulto representar a criança, por exemplo, na escolha de uma escola. Essa representação aproxima um caminho a seguir que a criança não pode decidir sozinha.

Para tanto, as crianças que não têm um referencial do adulto acham que podem “tudo”, sentem-se perdidas e vão descobrir que “tudo” não pode por meio de suas experiências com o mundo. Portanto, quando o adulto não se coloca, a criança fica perdida porque a presença dele aproxima a confiança; quando a criança tem um adulto que se coloca, ela descobre a experiência de confiar. Quando o adulto diz “não” a uma criança, ele não somente a impede de fazer algo, como a liberta para novas possibilidades de existir. Neste sentido, os dois crescem na relação, a criança e o adulto, é uma troca.

Ao se voltar ao mundo da criança, pode-se dizer que este está sempre ligado ao cuidado do adulto e das experiências do mesmo, uma vez que embora a criança queira descobrir o mundo, ela se sente desamparada por ele. Por isso, ela pode chorar com a falta de um familiar ou na presença de algum desconhecido. Mas além da curiosidade excessiva, do tempo imediato e da relação de dependência com o adulto, o que mais faz parte?  Algo muito simples e ao mesmo tempo fundamental: o “brincar”!

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Brincar significa construir elos, descobrir relações, é enredar, fazer história. Sendo assim, o mundo do brincar é uma realidade envolvida constantemente por relações originais que surgem na própria liberdade de ser, uma vez que proporciona à criança o desenvolver-se por meio da criatividade e originalidade. Crianças vivem intensamente e se envolvem completamente naquilo que estão fazendo. Descobrem o mundo e seus significados em suas brincadeiras, crescem e se desenvolvem brincando. Criança é brincar e brincar é ser criança!

Imagens: Pinterest

Texto:  Aline Alves Cardoso

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