Os primeiros dias na escola

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Os primeiros dias na escola

Pra quem não leu sobre a escolha da primeira escola, volte lá no meu outro post e leia primeiro. Acredite, é uma parte importante do processo.

Depois de uma trajetória de visitas às escolas possíveis, outras nem tanto, de reuniões familiares intermináveis para decidir uma escola de educação infantil para os filhos, inicia-se uma fase de preocupações e cuidados com a adaptação das crianças nesse novo universo, cheio de desafios e possibilidades.
Muitas crianças demonstram extrema sensibilidade à possibilidade de se afastar dos pais, outras, ansiosas pelo convívio com seus pares e por explorar esse espaço de descobertas, apenas se despedem com um sorriso seguro.

As crianças, essas excelentes antenas parabólicas, como diria Humberto Gessinger, percebem a menor vibração dos nossos corpos nesse momento de exploração.
Nossos medos, nossos anseios, nossas certezas e nossas dúvidas são captadas por eles e transformadas em uma mensagem decodificada a cada minuto nesse novo contexto.
Não tenho dúvidas de que a relação familiar estabelecida com a criança modela as relações que se sucederão a estas.

A escola, que inicialmente, é apenas a extensão dos laços familiares, com o tempo se torna um espaço de aprendizado, com novas regras. Porém, quem dá o tom para essa transição para as novas regras de convívio social é a convivência familiar.
Apesar dessas diferenças claras entre a adaptação das crianças, o que me ocorre é a diferença entre os pais nesses primeiros dias.

Muitos pais se agarram aos filhos como se fosse um adeus. Esses se tornam polvos, segurando criança, mochila, lancheira e suas próprias bolsas, como se nada pudesse sair do alcance de suas mãos. A tensão corporal pode ser percebida a olho nu.
Também tem aqueles pais que, num outro extremo de tensão muscular, são puro sorriso e alegria não contida, nessa nova etapa que se inicia.

Eu, por outro lado, não me encaixei em nenhum modelo anterior… Minha tensão, escorria pelo meu rosto sob a forma líquida e salgada das lágrimas. Minha confiança na escolha da escola não me deixou tensão, apenas emoção. Uma emoção que me acompanha, ainda hoje, já no terceiro ano dela na escola. O que, é claro, de alguma forma também repercute na visão que minha filha está construindo da escola.
Sabem o que isso me conta? A adaptação escolar não obedece uma regra, nem para os pais e nem para a criança.
Apesar de, metodologicamente, cada escola ter suas regras e elas serem norteadoras do processo adaptativo, não existe uma forma única ou correta de se dar essa adaptação.

É bem simples a minha justificativa para essa afirmação: cada família estabelece laços únicos com a criança. São laços que precisam ser considerados e respeitados na adaptação. Além disso, a idade da criança, o desejo por estar nesse novo espaço, ter irmãos, bem como ter irmãos em idade escolar, são algumas das considerações a serem feitas.
Por outro lado, o perfil desses pais, o motivo que os levaram a optar pela escola são, também, extremamente importantes.

O melhor método de adaptação é o que respeita o tempo da criança e investe na formação dos pais como parte ativa desse processo. Quando a escola abre um espaço de escuta e parceria com a família, os obstáculos, sejam eles quais forem, serão ultrapassados e as crianças se adaptarão da melhor forma, no menor tempo.

Núbia Gonçalves da Paixão Eneterio.
CRP-17/2916
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